E eu que tinha pena do segundo filho. Tanto que até pensei em não te-lo. Achava que, desprovido de todo o charme e ineditismo do primeiro, o segundo teria menos importância. Eis que, mais uma vez, me engano. Ser mãe é se enganar sempre. O segundo filho é muito sortudo, isso sim. E nada a ver aquela história de que devemos ter o segundo filho para o bem do primeiro. Ele, com certeza, faz bem para o primeiro, mas, acima de tudo, faz um bem danado pra gente mesmo. E desde o comecinho. É bem verdade que o segundo não tem o encanto do primeiro, mas é justamente aí que está a graça. Sabe aquela insegurança, aquele medo de não estar fazendo a coisa certa, aquela sensação de que você simplesmente não tem talento pro negócio? E a impressão de que você vai passar o resto da vida dormindo duas horas por noite, limpando vômitos de leite e roupinhas melecadas de cocô e xixi? E a ansiedade pra que essa fase passe logo? Se é um exagero dizer que tudo isso se transforma em um grande prazer com o segundo filho, posso, com certeza, afirmar que passa a ser uma grande diversão. Todos esses pequenos incovenientes, que uma vez tiveram a dimensão de tragédias gregas (pelo menos comigo foi assim), são agora mais um motivo pra dar um cheirinho, pra limpar as dobrinhas e pra beijar os pezinhos desses seres irresistivelmente dependentes. E se com o primeiro filho eu não via a hora de que acabasse logo o terceiro mês para que não houvesse mais cólicas, o primeiro ano pra que se tornasse mais independente, o segundo ano para que não usasse mais fralda, eu hoje estou assim: querendo que o tempo passe bem devagarinho, pra aproveitar cada chorinho, cada gemidinho, cada movimento descordenado e cada olhar assustado desse serzinho que precisa, mais do que tudo, de um aconchego de mãe. Resumindo: quem ganha com o segundo filho é a mãe, é o pai, é o irmão mais velho e é o próprio segundo filho, que certamente só irá se beneficiar dessa tranquilidade e felicidade toda.
Doutora em Biologia Molecular que, após anos de estudo, descobriu qual é a coisa mais importante que o DNA pode fazer: um filho.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
UM MÊS E A VIDA QUE, AOS POUCOS, RETOMA SEUS CONTORNOS
Um mês de Theo fora da minha barriga. E, apesar das cólicas, refluxos, fome, calor, frio, sono e todas as novidades e dificuldades que um recém-nascido enfrenta do lado de cá, digamos que ele está se saindo bem. Está aprendendo a lidar com tudo isso e está descobrindo o prazer de pequenas coisas do seu novo mundo: um leite gostoso, um colo quentinho, um banho relaxante, massagem no pezinho. Com relação a mim, estou, também, cada vez mais adaptada à nossa nova família. O cansaço já não é mais tão debilitante, estou aprendendo a dividir meu tempo entre os meus dois filhos sem sentir mais grandes culpas e estou, aos poucos, retomando a minha vida. Consciente, é claro, que a minha vida agora não é e nunca mais será a mesma de antes da chegada do Theo. Mas o fato é que já consigo passar a maior parte do meu dia com uma roupa mais ou menos decente, consigo fazer saídas rápidas para suprir algumas necessidades minhas e da casa, consigo programar e executar atividades com a Clara, conseguimos, a família toda, Theo incluso, ir à casa das avós e consigo fazer disso um programa mais prazeroso do que estressante. E atividades tais como ir ao salão, levar e buscar a filha na escola, ir ao mercado e até dar uma caminhada no parque, já começam a despontar como possibilidades em um futuro não tão distante. Engraçado como até coisas extramamente chatas, como ir ao mercado e ao salão (que odeio) são importantes para nos dar uma referência de normalidade. Nossa rotina acaba fazendo parte do que somos, da nossa identidade. E acho que é por isso que algumas (ou muitas?) mulheres sofrem um pouco quando são submetidas a mudanças tão drásticas e repentinas nela, como acontece quando nasce um bebê. Comigo, pelo menos, é assim. E é por isso que considero importante retomar alguns hábitos, algumas atividades. Mas devagarinho, sem pressa e deixando bastante tempo pra cuidar da cria, que é uma atividade que, por mais bagunça que tenha causado na minha vida é a que tem me dado maior prazer no momento.
segunda-feira, 28 de março de 2011
E MAIS UM PONTO PRA BIOLOGIA
Cansaço. Muito cansaço. Esse cheiro de leite azedo que me acompanha. Peito inchado, dolorido. Refeições feitas às pressas, banho tomado às pressas, saída de casa às pressas na ansiedade de voltar para o filho, que pode estar precisando de mim. Em meio a crises de choro (do filho e da mãe), trocar fralda, dar de mamar, segurar pra arrotar, trocar fralda de novo, preparar banho, dar banho, fazer massagem na barriguinha, pegar no colo, cantar musiquinha. Preocupações... Fundadas: será que é cólica ou refluxo?, está mamando direito?, está dormindo direito?, está ganhando peso? E infundadas. Porque tem gente (e eu sou sócia-fundadora desse clube) que quando não tem com o que se preocupar ou se sentir culpada inventa um motivo. E dessa vez, se as ideias de que eu não sirvo pra ser mãe e pra lidar com um bebê não me atormentam mais como aconteceu quando tive a minha primeira filha, invento de achar que não saberei lidar com ela (a primeira filha) agora que tenho outro filho solicitando a minha atenção. Primogênitos são primogênitos mesmo e, pelo jeito, vão carregar por toda a vida o bônus e o ônus disso. Agora me diga: como é que mesmo com todas as perturbações, loucuras e fraquezas físicas e psicológicas que nos acometem nesse período a gente não se rende e continua fazendo tudo da melhor forma possível e não desiste nunca de tentar reconfortar e acalmar e querer o bem da filharada e se preocupa em estar saudável e disposta pra poder dar conta de tudo e mais um pouco? Me diga se isso não é a natureza nos mostrando que, embora façamos tanta questão de nos distanciar, somos ainda animais, e que muito mais do que conseguir aquela promoção no trabalho e mostrar para nosso chefe como somos competentes, nosso real valor está na nossa capacidade de deixar descendentes. Não consigo pensar em outra coisa para justificar o fato de que, apesar de todos os perrengues, esse negócio de ter filho nos alegra tanto. É o instinto nos dizendo que cumprimos nosso papel, que fizemos o que realmente era importante ser feito. E esse contentamento, esse sentimento de dever cumprido, essa súbita compreensão do sentido da vida, faz com que tudo, tudo mesmo valha a pena. E que, se nos deixássemos agir apenas pelo instinto (que é danado de sabido), íamos encher o mundo com os nossos genes.
quarta-feira, 16 de março de 2011
THEO CHEGOU - O FILME
Enfeite de porta do Theo, feito pelo tio Rodrigo, com muito carinho e talento. Impresso às pressas, ainda deu tempo de ser colado na porta da maternidade, graças à ajuda do mesmo tio. Obrigada Rodo.
sábado, 12 de março de 2011
THEO CHEGOU
E eu com um post pronto na minha cabeça para falar sobre as três últimas semanas da minha gravidez. As mudanças que nos impomos, os cuidados que dedicamos as nós mesmas, já que sabemos que, nessa fase, não se trata apenas de nós mesmas, enfim, da delícia que é estar grávida e de como eu queria aproveitar o máximo esses últimos instantes. Mas eis que agora isso já não faz o menor sentido. Há exatos três dias, fui pro hospital com uma leve suspeita de que, talvez, quem sabe, as minhas últimas três semanas pudessem se transformar em últimos três dias. Naquele mesmo dia, tive a confirmação de que, na verdade, se transformariam em últimas três horas. Que foram passadas com alguma dor e muitas preocupações, das quais as mais legítimas eram duas: a saúde do Theo, que resolveu sair da barriga antes da hora, e o bem estar da Clara, que tinha ficado em casa com as mesmas dúvidas, incertezas e falta de preparo psicológico que me acompanhavam. E nessa hora, duas coisas me pareceram claras como nunca: 1) a Clara será para sempre a coisa mais importante da minha vida e 2) a partir de agora, o Theo será tão importante quanto ela.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
MOMENTO ROSELY SAYÃO
A Clara é uma criança bem inteligente. Ok. Eu sou a mãe e mães sempre acham seus filhos muito inteligentes. É verdade. Mas, tirando esse detalhe, sempre ouvi das professoras da escolinha, do inglês, da música, do ballet, enfim, de tudo que ela já inventou de fazer até agora, que ela se destaca por sua esperteza e facilidade de aprendizado. Daí que a gente acaba acreditando, né. Mas meu objetivo não é ficar usando minha filha pra me exibir (muito). Mesmo porque esse negócio de mais inteligente, menos inteligente rende muito assunto (existem vários tipos de inteligência, como medir a inteligência, o que é inteligência, afinal?). E, sendo ou não a primeira aluna da turma B do maternal C entre todas as pré-escolas pintadas de amarelo da zona sudeste do bairro Y da cidade de Curitiba, eu sempre ia achar um milhão de coisas pra falar sobre minha filha, pra mostrar pra todo mundo e continuar me exibindo. E a mãe que disser que não faz o mesmo está mentindo. Mas o fato é, que com essa onda “a Clara é muito inteligente”, surgem, esporadicamente, ideias do tipo “ela tem que ser mais cobrada e estimulada que os outros”, ou “ ela tem que estar em uma turma a frente”, ou ainda “ ela tem que estar em uma escola que exija mais”. E eu aqui pensando: não tem que ser justamente o contrário, ou eu que não entendo nada? A Clara me parece que vai ser sim uma pessoa que sempre terá certa facilidade pra entender e aprender as coisas, e não seria, então, justamente por isso que eu deveria estar menos preocupada em cobrar, exigir e entupi-la de tarefas? É claro que não podemos deixar de estimulá-la. Inteligência não é, de forma alguma, uma característica que deve ser negligenciada. Mas, enfim, fora a boa dose de estímulo que ela recebe em casa, ela está em uma escola boa, que segue o currículo regulamentar, que se utiliza de um bom material didático e que tem bons professores. No entanto, não é, certamente, uma escola que valoriza a quantidade de tarefas, nem a competição entre os alunos para obtenção de melhores notas, e sim a tolerância, o respeito, a busca pelo conhecimento. E pra mim, esse é o caminho pra fazer uma criança feliz e é dessa maneira que a criança vai aprender a utilizar seu potencial e não gastando horas por dia em tarefas repetitivas e pesquisas sem interesse. E eu, sinceramente, estou muito mais preocupada em fazer da minha filha uma pessoa feliz. Sucesso, realização e o prêmio Nobel são apenas conseqüências.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
COISAS QUE SÓ UMA GRÁVIDA FAZ - PARTE II
Só porque não tem a mínima ideia do que se passa da barriga pra baixo, esquece que depilação é uma coisa que deve ser feita periodicamente e sai por aí, biquininho bem menor que suas atuais medidas, pagando uma de sou muito mulher pra ficar me submetendo a esse ritual machista de arrancar os pelos do corpo.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
O QUANTO DEVEMOS OU NÃO DEVEMOS SABER
Eu achava que até já tinha falado disso aqui, mas talvez só tenha pensado. E como continuo pensando, resolvi falar. A questão é: me parece que o excesso de informação a que estamos sujeitos, que por um lado é um conforto e uma facilidade para todos que têm acesso a ele, pode, também, ser motivo de grande angústia e frustração quando não utilizado com o equilíbrio e moderação que merece. E agora, na gravidez, isso se torna bem evidente para mim. Talvez, porque, como já deixei claro aqui algumas vezes, equilíbrio e moderação não fazem parte do vocabulário das grávidas. Então, ao mesmo tempo que agradecemos imensamente o advento da internet cada vez que chegamos correndo em casa, sentamos na frente do computador e olhamos aquela tela cheia de resultados para nossa pesquisa sobre “gravidez e qualquer-besteira-que-nos-ocorreu-entre-o-elevador-e-a-porta-de-casa”, bate, também, uma baita insegurança, porque a gente percebe que o tema “gravidez e qualquer-besteira-que-nos-ocorreu-entre-o-elevador-e-a-porta-de-casa” é bem mais complexo do que imaginávamos e há muito o que aprender sobre ele e muitas regras a seguir e muitas dicas de especialistas e que somos completamente ignorantes no assunto e que, talvez, se a gente quer mesmo ser uma boa mãe, é bom começar logo a ler e a entender tudo isso. É muita gente estudando, dando opiniões, ensinando fórmulas de sucesso, fazendo listas de coisas proibidas e de coisas essenciais. E a gente ali, querendo captar tudo, obedecer a tudo, fazer tudo exatamente como o psicólogo falou, o médico afirmou, os estudos comprovaram. E é aí que a gente se dá mal. Porque, sem jamais querer desprezar os avanços do conhecimento e a importância dele em nossas vidas, eu digo: é conhecimento demais para um ser humano. É exigência demais, pressão demais, cobrança demais. Parece que está cada vez mais difícil fazer as coisas certas, porque as coisas estão ficando certas demais. E, ultimamente, mais feliz do que quando encontro milhões de respostas para minhas perguntas eu tenho ficado quando consigo desligar o computador no meio de uma leitura e pensar: “Sabe o que? Acho que, com relação a esse assunto, posso continuar usando o bom-senso que tudo vai dar certo”.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
A PRIMEIRA E O SEGUNDO
Clara,
você será sempre a única a:
- me ver barriguda,
- sentir o seu irmão se mexendo na minha barriga,
- participar da escolha do nome, do quarto e de toda preparação que envolve a chegada do seu irmãozinho,
- me ensinar a ser mãe e me apresentar, dia após dia, uma nova fase, um novo desafio,
- me fazer chorar enlouquecidamente e sair totalmente fora da casinha diante de qualquer um desses desafios, mesmo que eles nem sejam tão desafiantes assim,
- causar comoção na família inteira diante de qualquer novidade na sua vida, desde aquela cambalhota no ultrassom, até o primeiro dia na escolinha, a apresentação de fim de ano, a alfabetização, a troca dos dentes e mais um monte de coisas pelas quais você ainda vai passar.
Theo/João/Bento/Bernardo,
você será sempre o único a:
- nascer já fazendo parte de uma família com cara de família,
- ter, desde o início, pais mais experientes e (espero) mais equilibrados,
- ter pais que já sabem muito bem o que é ter um filho e que mesmo assim planejaram e quiseram muito a sua chegada,
- ter uma mãe que, apesar de um pouco mais velha e justamente por isso, poderá se dedicar muito a você em seu primeiro ano de vida, sem se preocupar com teses de doutorado, viagens enlouquecidas a trabalho e prazos absurdos a serem cumpridos,
- ter uma irmã mais velha que vai te ajudar muito e, junto com teu pai e tua mãe, contribuir para que você se sinta seguro e feliz.
domingo, 9 de janeiro de 2011
FÉRIAS E A NECESSIDADE DE FÉRIAS
De volta de uma temporada na praia... Preciso de umas férias. Urgente!
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Depois da temporada do ano passado, quando atingi o ápice do desprendimento e me senti a mega descolada e bem resolvida por ter entrado total no clima areia e maresia, esse ano, a gravidez (e outras coisinhas mais) me permitiu uma regressão completa e fiquei feliz a beça por ter voltado ao meu mundo de poluição, trânsito, ar condicionado e pessoas que me ajudem na limpeza da casa.
-x-x-x-x-x-x-x-x-
Minha prima (também grávida) me disse ontem que grávidas não foram feitas para trabalhar. Eu complemento: grávidas não foram feitas para trabalhar, faxinar, fazer mercado, fazer compras, ir ao banco, à feira, dirigir... Sorte das grávidas que elas carregam algo dentro delas e permitem que esse algo se transforme em uma pessoa completa! (isso sempre soa como uma coisa assustadoramente incrível). Porque, não fosse isso, elas poderiam ser um grande problema para a sociedade.
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