domingo, 6 de junho de 2010

APRENDIZADOS

Clara entendendo como as coisas funcionam.

Eu e ela no carro, voltando para casa no domingo, seis horas da tarde. De repente, um baita de um engarrafamento, trânsito completamente parado a duas quadras de casa. Eu:

- Ai que droga! Tem uma blitz bem ali na frente.

- O que é uma blitz mãe?

- É quando os policiais param alguns carros para verificar se está tudo certo com os documentos do carro e do motorista.

- Quando roubaram o carro do pai ninguém parou o ladrão pra ver se estava tudo certo com os documentos.

Eu tentando defender os policiais:

- Pois é. Às vezes os policiais têm azar e só param os motoristas que estão com tudo certo e deixam justamente o ladrão passar.

- Mas nós avisamos os policiais que o ladrão tinha levado nosso carro. E ele foi até Joinvile com o carro e ninguém parou?

Eu já sem argumentos:

- Pois é...

E a Clara com sua brilhante conclusão:

- Esses policiais são uns toscos mesmo.

E nem fui eu que falei.

domingo, 16 de maio de 2010

O MAIS NOVO SEGREDO DAS MÃES

Sabe o que a mamãe faz quando já ajudou a fazer a lição, deu janta, deu banho, ajudou a por o pijaminha, a pentear o cabelo, escovar os dentes, levou pra cama, leu uma historinha e deu um beijo gostoso de boa noite? Vai escrever no blog. É isso que as mamães de hoje em dia fazem, secretamente, quando todo mundo já foi dormir: escrevem sobre os filhos, sobre suas vidas com os filhos. Dão conselhos e pedem conselhos. Visitam os blogs das outras mães e acabam achando um jeito de driblar a solidão que a vida corrida de hoje em dia nos impõem. Juntam-se todas, ainda que virtualmente, e trocam experiências, assim como imaginamos que as mulheres faziam em um certo tempo, reunidas em suas casas, nas pracinhas, nas ruas. Enquanto viam seus filhos brincar, acabavam ajudando a cuidar, também, dos filhos das outras. Aproveitavam para trocar experiêncas, tirar dúvidas, compartilhar sentimentos. E agora, apesar das adversidades, apesar da vida louca que a gente leva, estamos, mães, nos unindo novamente. E, então, fica provado: não somos auto-suficientes. Precisamos de companhia e apoio, precisamos sentir que não estamos sozinhas. E, assim, ouvindo e contando e ajudando e sendo ajudadas nos sentimos mais seguras, capazes e felizes. Pelo menos é assim que me sinto quando consigo ter o meu tempinho aqui na frente do computador para contar um pouco da minha vida e saber um pouco o que se passa na cabeça dessas outras mães que fazem como eu e que já me parecem conhecidas de longa data (apesar de eu não conhecer pessoalmente nenhuma delas). Por isso a mães do século XXI recomendam: entrem em blogs, comentem em blogs, tenham seus blogs. Faz muito bem pra saúde.

domingo, 9 de maio de 2010

DIA DAS MÃES

Coisa boa ser mulher e poder ser mãe, que é simplesmente a coisa mais maravilhosa do mundo. Pai é fundamental. Todo mundo sabe o quão prejudicial pode ser para uma criança crescer sem ter a referência paterna e o quão danoso pode ser para uma mulher ter que cuidar de uma criança sozinha. Mas todo mundo sabe, também, que mãe é diferente. A diferença, na minha opinião, é que, além de dividir com o pai essa função maravilhosa de educar e construir o caráter do filho, a mãe está presente em todas as pequenas coisas do dia-a-dia. E a certeza da presença da mãe pra nos ajudar a resolver os pequenos impasses do cotidiano nos aconchega e nos acalenta e faz tudo ficar mais fácil e mais gostoso. A mãe ajuda a decidir qual a melhor roupa pra ir na festa, ajuda a arrumar o cabelo, ajuda a resolver aquela briga boba com a amiga, leva, busca, dá comida, prepara o lanchinho. A mãe tem o prazer de vivenciar cada suspiro, cada acontecimento na vida dos filhos (pelo menos enquanto eles ainda são pequenos e nós temos o controle sobre eles). Então, vamos aproveitar essa fase tão maravilhosa na qual podemos exercer plenamente nosso papel de mãe. Mãe protetora, mãe facilitadora, mãezona. Obrigada meu marido por ter me possibilitado isso. Obrigada minha filhinha querida por deixar que eu desempenhe esse papel com toda intensidade possível e permitir que eu viva esse desafio de tentar criar uma pessoa feliz.

sábado, 8 de maio de 2010

MÃE É MÃE

De repente, coisas que eu achava super lugar comum e constrangedoramente bregas do tipo “mãe, você é tudo pra mim, te amo do fundo do meu coração” passam a ser maravilhosamente lindas e emocionantes. E a apresentação do dia das mães na escola, com direito a acompanhamento de saxofone, se transforma em uma choradeira sem fim e em um dos melhores acontecimentos do ano. E é nessas horas que eu percebo, mais do que nunca, o efeito de um filho sobre a gente e só agora eu entendo a minha mãe e penso que não deveria ter considerado essas coisas tão bregas assim. Talvez devesse ter esquecido a originalidade e a atitude, que eu achava que tinha que demonstrar a partir de certo momento da minha vida, e devesse ter sido mais carinhosa, mais lugar comum. Porque é disso que as mães gostam.

sábado, 1 de maio de 2010

ACONTECEU COMIGO

Papo bem chato e triste e desagradável pra falar aqui. Ou em qualquer outro lugar. Mas, afinal, um dos motivos da existência desse blog é, justamente, permitir que eu abra meu coração, fale coisas que eu não tenho coragem, mas tenho vontade, de sair falando por aí. E daí, me escondo atrás do anonimato da vida virtual e vou botando tudo pra fora; terapia total.


Então, vai lá. Sabe aquele pesadelo que acompanha as grávidas de primeiro trimestre? Aquele diabinho que insiste em passear pelas nossas cabeças nos fazendo lembrar que ainda não estamos grávidas de fato, que muita coisa pode dar errado nessa tentativa de formar um ser dentro de nós? Essas ideias estavam me atormentando terrivelmente desde que soube da minha gravidez e (intuição, conhecimento de causa?) não é que elas se concretizaram? Pois é. Aconteceu comigo. Experiência das mais dolorosas e tristes que eu já vivi. E olha que eu sou bióloga, sou extremamente racional e, definitivamente, não me comovo com coisas do tipo “o milagre da concepção, o sentimento lindo e inexplicável que a mãe sente pelo filho antes mesmo de saber da sua existência” e blá, blá, blá. Pra mim, um embrião de oito semanas é um embrião de oito semanas. E a gente deve zelar por ele e proteger e fazer o possível e o impossível e tomar todos os cuidados necessários para que ele se transforme em nosso filho, que por enquanto não é. Por enquanto é uma porção de células bem organizadas que acabaram de decidir o que querem ser da vida. Viram como sou racional e durona? Pois muito bem. E aonde foi parar todo esse conhecimento, compreensão e coerência quando eu descobri que o minúsculo amontoado de células que crescia e se multiplicava dentro de mim tinha desistido de ir em frente? Elas pararam assim, todas juntas, de desempenhar seus papéis e abandonaram a missão. E não é a palavra morte que me assusta e entristece, nem tão pouco posso dizer que sofri tanto porque já amava incondicionalmente o meu filho. O que eu amava, na verdade, era a ideia desse filho. Era a imagem que eu já tinha bem nítida de eu sendo mãe daqui sete meses. Eram as mudanças que estavam acontecendo na minha vida em função do que estava acontecendo dentro de mim. Era, sobretudo, saber que daqui a pouco tempo eu estaria fazendo o que eu mais gosto de fazer e que eu ia viver de novo o incrível desafio de ensinar, divertir, consolar, acolher, educar e proteger um outro serzinho. E eu ia experimentar a aterrorizante sensação de amar muito, mais muito mesmo, alguém, a ponto de mudar minha vida, minha personalidade, meus ideais e me sentir muito feliz com tudo isso. E, gente!, é muito difícil ter que lidar com a interrupção tão abrupta dessas ideias, mesmo sabendo de divisão celular, da ativação da expressão gênica e de todas as porcentagens e chances e números. Que se dane as estatísticas e a biologia nessas horas. Eu continuo chorando e sentindo profunda tristeza e querendo que nada disso estivesse acontecendo comigo. Vai passar? É claro que vai. Como tudo na vida.

QUERO SER NORMAL EM CURITIBA

Ser normal em Curitiba é:

          tirar foto dentro dos cones do "museu do olho".


segunda-feira, 26 de abril de 2010

DESCOBERTAS, DÚVIDAS E INCOMPREENSÕES

E daí que um dia você percebe que pode ser uma boa biologista molecular. Foi uma boa aluna na faculdade, uma boa aluna de mestrado, uma boa aluna de doutorado e agora é capaz de ser uma boa profissional, talvez até um pouquinho acima da média. E você percebe que você poderia ter sido uma boa bailarina, ou uma boa médica, advogada ou engenheira, se você tivesse escolhido assim. E entende que, quando a gente quer e se dedica, pode ser boa, ou pelo menos bastante razoável, em uma porção de coisas. Mas daí você descobre que tem uma coisa, entre todas que você já experimentou, que realmente te diverte e te dá prazer. Talvez a única até agora. Uma coisa que não te chateia, que não te estressa, que não te deixa maluca com vontade de explodir tudo que encontra pela frente. E essa coisa é cuidar de filho. E você se assusta porque parece que isso não combina com você. Mas mesmo assim tem cada vez mais vontade de largar tudo e sair correndo só pra poder ficar com teu filho e gastar todas as suas forças com ele. E tem certeza de que isso te deixará muito mais feliz do que qualquer outra coisa que você possa fazer. E você não entende e sente um pouco de inveja da grande maioria das outras mães que nunca, jamais, pensam no absurdo de abrir mão de suas carreiras e de suas tão merecidas conquistas profissionais e conseguem fazer tudo ao mesmo tempo e têm um, dois, até três filhos e continuam sendo influentes, poderosas e bem-sucedidas. E você ouve que a mulher tem que ser independente, não pode se anular e fica muito triste e confusa porque tudo o que você queria era um pouco mais de dependência e tempo pra ser mãe e dona-de-casa. E você não acha que você estaria se anulando assim, porque, na verdade, você não está nem aí pra ser poderosa e influente e super-profissional. Daí você pensa: será que tem alguma coisa errada comigo? Será que eu sou preguiçosa e não gosto de trabalhar? Por que, afinal de contas, eu prefiro passar duas horas na cozinha fazendo bolinhos de espinafre com a minha filha do que estar em uma reunião com pessoas inteligentes e importantes, decidindo coisas fundamentais pro país? E você torce pra que nenhuma feminista e nem o teu chefe leiam isso aqui.

domingo, 21 de março de 2010

CONFISSÕES DE UMA GRÁVIDA PREGUIÇOSA

Na primeira gravidez, eu, na flor dos meus 25 aninhos, muito preocupada em ser uma grávida bonitona. Barriguda, mas com tudo em cima. Estrias, celulite, flacidez? Deus me livre! Eu não tinha sido feita pra isso. E agora, segunda gravidez, eu, uma balzaquiana de 32 anos, me entrego sem remorsos aos prazeres da carne. Não sei se é pela idade avançada ou pela resignação de que eu não vou mesmo ser convidada para posar na Playboy, nem pra ser a musa do brasileirão e nem pra ser a madrinha da bateria da Mocidade Azul de Curitiba. O fato é, que aquela preguiça contra a qual eu lutava tanto quando eu estava grávida da Clara, agora me domina por completo. E eu deixo. Se me dizem "melhor não fazer atividade física nos três primeiros meses" eu logo penso "ótimo, assim sobra mais tempo pra eu não fazer nada". Se aquela fome mortal ataca, não tem problema, eu como o que achar pela frente, seja uma saudável e light maçã, seja um prato gigante de macarrão com molho branco. Tudo muito natural e espontâneo. Acho que é agora que embarango de vez. E penso que eu me preocupo? Por enquanto não. Vamos ver depois, quando o resultado disso tudo vier, de fato, à tona.

domingo, 14 de março de 2010

QUEM AVISA AMIGO É

Para aquelas que ainda não descobriram, vai aí a dica: nunca, jamais, aponte um defeito seu na frente dos seus filhos. Porque duas situações podem ocorrer a partir daí (e nenhuma delas será agradável).


Situação número 1: se seu filho for ainda pequeno, com 2, 3 ou 4 anos, ele simplesmente pode não perceber que o que você acabou de mencionar é um defeito e que, via de regra, ninguém gosta que seus defeitos sejam apontados. Então, você correrá o risco de ter que conviver com situações constrangedoras e ouvir frases como estas, proferidas nos locais menos apropriados: “mamãe, né que você tem a bunda de gelatina?” ou “olha que legal o seu bumbum de gelatina!”, enquanto dá tapinhas indiscretos nas suas nádegas bem no meio do supermercado. Sim, isso aconteceu várias vezes comigo após ter compartilhado com a Clara esse detalhe sórdido da minha anatomia.

Situação número 2: se seu filho já for mais crescidinho, ele entenderá, sim, perfeitamente, que você está falando de um defeito seu e vai adorar saber que a mãe dele não é a perfeição que aparenta ser. E vai preservar essa observação bem vivida na memória para poder usar nas situações que mais julgar conveniente. Exemplo: mãe fala: “meu filho, você está sendo mal educado e desobediente e merece um castigo” e o filho: “e você tem essa bunda mole horrorosa”.

Pois é, filhos são sacanas e estão loucos para achar defeitos em você. E vão conseguir. Então, deixe que a coisa fique pelo menos um pouco mais difícil para eles e não entregue o ouro assim, de bandeja.

terça-feira, 9 de março de 2010

TUDO DE NOVO

É, ao que parece a Clara não vai mais ser filha única. Pois é, pelo menos por enquanto estou gravidíssima. E é assim que pretendo continuar pelos próximos nove longos meses, apesar de que o desespero que tomou conta de mim na semana passada possa ter dado indícios do contrário. E eu que jurava que, caso eu ficasse grávida de novo, tudo seria diferente. Afinal de contas, eu agora estou mais madura e mais certa do que eu quero na vida (hahaha, era o que eu pensava). E dessa vez eu estava, de fato, programando ter mais um filho. Mas, ironia das ironias, ele veio justamente quando eu já tinha deixado de programar. Aliás, eu já tinha programado não ter mais filho nenhum e já estava completamente convencida e confortável com a minha decisão. E vem a vida e me pega de surpresa. E vem o desespero e me pega quase que de surpresa. Não me pega totalmente de surpresa porque eu já tinha sentido tudo isso, bem parecido, da primeira vez que fiquei grávida. As mesmas angústias, as mesmas dúvidas: será que foi uma boa idéia? Será que serei capaz de dar todo o amor e carinho que dei pra Clara para esse outro filho? Será que continuarei sendo capaz de dar todo o amor e carinho que dou para Clara com a chegada desse novo filho? Será que sou mesmo uma boa mãe e mereço mais uma criança sob minha responsabilidade? Será que essa criança vai ser feliz nesse mundo de cabeça pra baixo em que vivemos? Será que não foi muita irresponsabilidade de minha parte? Será, será, será? Enfim, é tanto será que quanto mais eu me pergunto mais dúvidas me aparecem e mais angustiada eu fico. Acho que o negócio agora é tentar esquecer as preocupações e curtir o máximo essa ideia que já me alegra tanto. Imagino que a ansiedade e as incertezas sejam normais para nós, que temos a consciência da imensa responsabilidade que é criar alguém, e não importa quantas vezes formos mães elas sempre vão voltar com força total. E talvez (torço muito, torço muito pra que sim), o fato de ficarmos tão preocupadas e nervosas seja um indício de que tomaremos muito cuidado pra que tudo dê certo e de que faremos de tudo para desempenharmos bem o nosso papel.